ESTUDO DOS
66 LIVROS DA BÍBLIA
ESCOLA
BÍBLICA DISCIPULADO
ATENÇÃO: Antes de iniciar sua
leitura faça uma oração pedindo orientação ao Espírito Santo.
Para maior compreensão do estudo, use sua Bíblia, pois ao
longo o texto contém várias citações que precisam ser conferidas.
Esse estudo está disponibilizado no site: www.ebdcomunidadevida.com
Boa leitura!
GÁLATAS
Gálatas apresenta Jesus Cristo, nossa Liberdade
Essa
epístola demonstra que o cristão já não está debaixo da lei, mas
é salvo pela fé somente. “Para a liberdade foi que Cristo nos
libertou” (5.1). A “lei” é a parte da Palavra de Deus que se encontra nos
primeiros cinco livros de Moisés (Genes a Deuteronômio) e servia de orientação
para todos os aspectos da vida de Israel.
Durante
a sua segunda viagem missionária (At 16.6), Paulo demorou na Galácia por motivo
de saúde (Gl 4.13). Ainda que doente esse incansável servo do Senhor não pôde
permanecer calado, mas continuou a pregar o evangelho. O tema de seus sermões
era “Cristo crucificado” (3.1). Foi nessa época que ele organizou as igrejas da
Galácia (1.6). Espalhavam-se pela zona rural e eram formadas por gente do
interior. Certos mestres da lei tinham seguido Paulo, ensinando salvação pelas
obras e declarando que, mesmo sendo verdadeiro o cristianismo, o cristão
deveriam ser circuncidado e
praticar todas as obras da lei. Esses mestres diziam que Paulo não ensinava
isso porque não era verdadeiro apóstolo e tinha aprendido sua doutrina com
outros. Isso perturbou sobremaneira os novos convertidos.
A
circuncisão era o rito inicial da religião judaica. Se um gentio quisesse
tornar-se judeu, tinha de observar a lei cerimonial.
Os
falsos mestres começaram a fascinar o povo (3.1), dizendo que ele deveria
guardar todas as cerimônias da lei. Paulo queria que os gálatas soubessem que
coisa nenhuma — nem fetiches, nem obras, nem cerimônias — poderia
levá-los a Cristo. A salvação vem somente pela fé em Cristo, e nada mais.
Por
serem muito volúveis e gostarem de novidades, os gálatas estavam quase
aceitando os ensinos desses falsos mestres. Quando Paulo soube disso, escreveu
uma carta de próprio punho, por considerar o assunto muito urgente e não haver
ninguém perto para escrevê-la (6.11).
Alguém
disse que o judaísmo foi o berço do cristianismo e por pouco não foi seu
túmulo. Deus levantou Paulo como o Moisés da igreja cristã para livrar os
cristãos dessa escravidão. Essa carta contribuiu mais do que qualquer outro
livro do NT para libertar a fé cristã do judaísmo (lei) e do fardo
da salvação pelas obras, ensinada por tantos falsos cultos e que tem ameaçado o
evangelho simples de nosso Senhor Jesus Cristo. Tanta gente quer fazer alguma
coisa para salvar-se. A pergunta do carcereiro de Filipos “Que devo fazer para
que seja salvo?” é levantada pelas multidões. A resposta é
sempre a mesma: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo” (At 16.3 1).
Uma
religião sem a cruz não é a religião de Cristo. Ele não veio ao mundo
simplesmente para abrir caminho através de uma floresta densa, nem para se
tornar o exemplo de um viver verdadeiro. Ele veio para ser o Salvador.
O poder
da cruz
Para
livrar do pecado — 1.4; 2.2 1; 3.22
Para
livrar da maldição da lei — 3.13
Para
livrar do egoísmo — 2.20; 5.24
Para
livrar do mundo —6.14
No novo
nascimento — 4.4-7
Em
receber o Espírito Santo — 3.14
Em
produzir o fruto do Espírito — 5.22-25
A carta
aos Gálatas é a “Declaração de independência do cristão”. “Se,
pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). Muitos
julgam que as restrições destroem a liberdade. O oposto é que é verdade. Quando
entramos num parque público, logo damos com avisos: “Não pise na grama”,
“Proibida à
entrada de cães”, “É proibido apanhar flores”. Essas leis foram feitas para
preservar o parque. Se não tivessem sido estabelecidas, o local em breve se
tornaria um simples terreno baldio. Assim é com a sociedade em geral. Se nos
revoltássemos contra Deus e sua ordem, nos tornaríamos verdadeiros bárbaros. É
o que está acontecendo com o mundo hoje. Liberdade não é independência da lei —
isso é licenciosidade. Liberdade é independência dentro da lei. Paulo fala da
liberdade que temos “em Cristo” (2.4), pois “onde está o Espírito do Senhor, aí
há liberdade” (2Co 3.17).
Essa
é a liberdade de que a epístola trata. Por isso, aprofunde-se em Gálatas
e deixe-se saturar por seu ensino. Aprenda o que é ser livre em Cristo. Jesus disse:
“Já não vos chamo servos
mas tenho-vos chamado amigos” (Jo 15.15).
Gálatas
contrasta a lei e a graça:
Em
Romanos, descobrimos a nossa posição.
Em Gálatas,
tomamos posição.
Paulo
nos ensina:
Em
Romanos, a usar o intelecto para nos apossarmos das grandes verdades do
cristianismo.
Em 1 Coríntios, a estender a mão para alcançarmos nossos privilégios em Cristo.
Em
2Coríntios, a erguer o coração para recebermos as consolações que nos
pertencem.
Em
Gálatas, a firmar os pés na liberdade que Cristo dá.
INTRODUÇÃO (Gl 1.1-11)
Esta é a única vez, em todos os seus escritos, que Paulo não expressa seus
agradecimentos. Ao contrário, ele diz: “Admira- me”. É a única igreja à qual
não pede orações. Como poderia fazê-lo, se estavam desonrando o Senhor (1.6-9)?
Paulo
admira-se de que esses novos cristãos tão cedo tivessem abandonado o evangelho
da liberdade para aceitar uma mensagem legalista que não era nenhum evangelho.
Duas vezes ele lança maldição sobre os causadores do problema. Ele diz que, se
um anjo do céu viesse pregar algum outro evangelho diferente do que ele
pregava, seria anátema (L 8,9).
Que
evangelho era esse pregado por Paulo? O evangelho de Paulo deixava de fora as
obras. “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da
lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, [...], pois, por obras da lei,
ninguém será justificado” (2.16). A dificuldade para a salvação não consiste em
procurarmos ser suficientemente bons para sermos salvos, mas em reconhecermos
que somos tão maus que precisamos de salvação. Cristo só pode salvar pecadores.
A graça não começa até que a lei tenha provado que somos culpados, como mostra
a carta aos Romanos. Aí, então, Cristo nos oferece sua justiça.
Um
evangelho em que lei e graça se misturam não tem poder. Os falsos mestres desse
tipo de evangelho são anátemas porque pervertem o verdadeiro evangelho. Eles
admitiam a morte de Cristo na cruz, mas negavam que somente a fé em seu
sacrifício era suficiente para a salvação. Ensinavam que, para ser salvo, o
homem precisava observar ao menos uma parte da lei. Julgavam que a simples fé,
de acordo com o evangelho que Paulo pregava, não era suficiente para a
salvação. O povo gosta dessa espécie de pregação por sentir que pode fazer
alguma coisa para i inçar mérito diante de Deus.
Paulo
mostra como é séria a nossa condição sem Cristo. Quando um médico
especialista diz: “Sua única esperança é isto ou aquilo”, você sabe que sua
condição é crítica. Aqui temos as palavras de uma grande autoridade no
evangelho. Paulo declara que nossa condição é muito grave e que o evangelho da
graça de Deus é nossa única esperança. Não há outra.
Paulo
apresenta a expiação (1.4), uma verdade que antes lhes fora tão cara, mas agora
é praticamente rejeitada: “Cristo entregou-se a si mesmo pelos nossos pecados”.
PAULO DEFENDE O SEU APOSTOLADO (Gl 1.12— 2.21)
O ensino de Paulo tinha a aprovação do próprio Deus (1.11-24). Ele prova que
recebeu seu evangelho diretamente dos céus e só Deus poderia tê-lo
transformado de homicida em pregador.
Há muitas coisas que aprendemos pela experiência, mas com as coisas de Deus não
é assim. Para conhecê-las, é preciso que nos sejam reveladas. “Porque, eu não o
recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo”
(1.12).
Paulo
não consultou ninguém sobre o que deveria pregar, mas retirou-se para o deserto
da Arábia por três anos e ali ele ouviu Deus. Esteve apenas 15 dias com Pedro e
Tiago, por isso não poderia ter aprendido muita coisa com eles.
A
autoridade do evangelho de Paulo aparece em sua repreensão a Pedro (2.11-21).
Para provar que Pedro não era apóstolo maior que ele, Paulo salienta em Gálatas
2.11-21 como o repreendeu abertamente por sua atitude dúbia com respeito a
costumes judaicos quando estava em Antioquia. Não fez nenhuma tentativa secreta para
solapar a autoridade de Pedro. Paulo não era dominado por esse grande apóstolo
dos judeus. O versículo 11 é um argumento irrespondível contra a
supremacia de Pedro.
“Faço-vos,
porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem”
(1.1 1). É bom saber que a amizade de Pedro e Paulo era tão genuína que
suportou aquela severa
O que
quer dizer “justificado”? Deus leva a meu crédito o que Cristo fez, como se eu
mesmo tivesse feito. Quando um criminoso é perdoado, não pode ser
considerado justo. Mas a justificação é o ato de Deus pelo qual ele não
só nos perdoa, mas também nos atribui a justiça de Cristo. Deus justifica
o pecador sem justificar seu pecado. Ele nos dá uma justiça que
não é nossa, mas de Cristo.
Como
somos justificados? Não por obras (2.16,17). As obras estão excluídas! Não
somos justificados pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo.
Não
há graus de justificação. No momento em que cremos em Cristo, somos
feitos justos.
A
justificação vem
por
Deus — Romanos 3.26; 8.33;
pela
graça — Romanos 3.25; 5.9;
pela
fé — Romanos 3.21-28.
Paulo
termina sua defesa com uma palavra pessoal de testemunho que nos dá um
quadro completo da vida cristã, do ponto de vista positivo e negativo. “Estou
crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em
mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de
Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (2.19,20). Este
é um verdadeiro paradoxo.
Esse
versículo é verdadeiro em relação a todo cristão. Não precisamos ser
crucificados com
Cristo; já fomos crucificados com ele. Ele morreu em nosso lugar. Vivemos
agora não pela lei, mas pela fé. Cristo foi nosso sacrifício pelo pecado e
agora é nossa suficiência para a nova vida. A vida cristã é um
morrer diário morrer diário para o eu e o pecado. O Salvador crucificado é quem
vive naqueles que participam de sua crucificação.
PAULO DEFENDE O EVANGELHO (Gl 3.1—4.31)
—
Experimentei religião nesses últimos cinco anos; não obtive resultados e
desisti — foram as palavras de um jovem ao ser convidado por um pastor a
receber Cristo.
— Eu
também experimentei religião durante quinze anos, e da nada fez por mim. Também
desisti — respondeu o pastor.
Seguiu-se
uma pausa.
— Então
por que o senhor é pastor? — perguntou o jovem. Depois experimentei Cristo, e
ele satisfez todas as minhas necessidades. Não é religião que lhe estou
recomendando, mas um Salvador vivo e amoroso.
A
palavra “religião” está caindo de moda porque tem sido distorcida e
mal aplicada. Ser religioso, hoje em dia, significa que a pessoa aceita um credo,
observa certas cerimônias ou freqüenta certos lugares de culto. Mas isso
não é bastante. É preciso que haja uma fé viva num
Salvador vivo. É possível ter religião sem ter evangelho. Esse era o
perigo que os cristãos da Galácia enfrentavam. Há muita gente que confia
na sinceridade de sua fé num credo que formularam para serem salvos.
Dizem: “A regra áurea é minha religião”. Mas não há salvação nela,
porque “sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb 9.22).
Há pessoas
que não acreditam em missões estrangeiras porque dizem que os pagãos têm sua
própria religião e não devemos perturbá-los, O fato é que eles têm tanta
religião que vivem curvados sob esse fardo sem as boas-novas do evangelho.
Recebemos a ordem de pregar o evangelho a toda criatura.
Religião
é o melhor que o homem pode fazer. Cristianismo é o melhor que Deus
pode fazer. Qual o resultado do melhor que o homem pode fazer? “Pois, por obras
da lei, ninguém será justificado” (2.16). Como pode o homem tornar-se
justo?
Mediante
a fé em Cristo Jesus
(2.16). Cristianismo é o melhor de Deus. “Cristo é o cordeiro de Deus
que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Somos declarados justos não por
obras da lei, mas pela fé nele.
Paulo
está defendendo o evangelho de Cristo. Descreve a própria pregação,
apresentando a cruz tão completamente que é como se tivessem visto Cristo
crucificado no meio deles (3.1). Ele mostra o que a lei não pôde fazer, mas o
que a graça fez.
Paulo
lança uma pergunta desafiadora a esses gálatas insensatos: “Ó gálatas insensatos!
Eu lhes trouxe o verdadeiro evangelho, e vocês o receberam com avidez e
gratidão. Agora, de repente, o abandonaram. Que aconteceu com vocês?
“Escutem
aqui, seus gálatas sabidos, vocês que de repente se tornaram mestres, enquanto
eu mais pareço seu discípulo. Por acaso vocês receberam o Espírito Santo pelas obras da lei
ou pela pregação do evangelho?” (paráfrase da autora). Essa pergunta era um
desafio a eles porque sua própria experiência comprovava a verdade da pregação
de Paulo.
“Vocês
não podem dizer que receberam o Espírito Santo só porque guardaram a lei.
Ninguém jamais ouviu tal coisa.” E acrescenta: “Mas logo que veio o evangelho,
vocês receberam o Espírito Santo simplesmente por ouvir com fé” (paráfrase da
autora).
Ë
difícil acreditar que o inestimável dom do perdão dos pecados e a dádiva do
Espírito Santo não sejam ganhos por nosso esforço, mas oferecidos de graça por
Deus. Por que não recebê-los?
Por que ficarmos preocupados com nossa própria indignidade? Por que não
aceitarmos tudo isso com gratidão?
Um
raciocínio tolo logo diz: “Se o homem nada pode fazer para a sua salvação ou
para a expiação de seus pecados, então ficará preguiçoso e nem vai tentar
ser bom”. Mas o fato é que, quando aceitamos o evangelho com coração
grato, logo passamos a praticar boas obras. Queremos agradar a Deus. Aqueles
que pensam que devemos ser salvos por nossas obras acham que coisa fácil de
alcançar. Sabemos, entretanto, por experiência pessoal, como é difícil
simplesmente crer. Lutero diz que o cristão não está isento de pecar, mas Deus não
mais considera o seu pecado por causa de sua fé em Cristo.
É “o
caso de Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça” (3.6).
Abraão gozava de alto conceito entre os homens por causa de sua vida reta, mas,
segundo o padrão de Deus, ele era pecador condenado. Foi justificado com base na
fé, e não nas obras. Se a fé sem obras foi suficiente para Abraão, r que
haveríamos de trocar a fé pela lei? Abraão creu. Isso é fé. A fé diz a Deus:
“Eu creio no que dizes”. Deve
ter causado grande espanto aos orgulhosos e perturbadores judeus ouvirem Paulo
dizer que os verdadeiros filhos de Abraão não eram os nascidos de sua carne e
sangue, e sim aqueles que criam em Jesus Cristo. Embora
nascidos na obscuridade (3.26,29), todos podem graças ao novo nascimento,
sentar-se com Abraão, como filhos do pai dos fiéis (3.14,29). “Abraão creu em
Deus, e isso lhe foi imputado para justiça’ (3.6,7).
A MALDIÇÃO DA LEI
A
maldição de Deus é como uma enchente, levando tudo que não é da
fé. A lei de que Paulo está falando não é a civil. Essa tem seu lugar, mas
a justiça civil nunca poderá livrar alguém da condenação da lei de Deus. Só
porque sou um cidadão que cumpre a lei, não quer dizer que sou cristão. As leis
civis são bênção para a vida presente e não para a futura. Do contrário, muitos
não-crentes talvez estivessem mais perto do céu do que alguns cristãos. Uma
pessoa culpada nunca compareceria perante um tribunal alegando inocência só
porque pertence a uma igreja, contribui liberalmente ou é aluno da Escola Bíblica.
Tampouco pode o não-crente comparecer diante do tribunal celeste e esperar ser
aceito só por ter sido bom funcionário, bom cidadão ou uma pessoa correta. Os
tribunais terrenos exigem que cumpramos as leis — o celestial demanda que
tenhamos fé em Jesus
Cristo.
A lei
não pode oferecer justiça, porém traz a morte sobre todos os que não a observam
(3.10). Ela exige obediência perfeita. Muitos acham que deveriam ser
recompensados por cumprir a lei, mas, de fato, não devem esperar nada.
É dever do homem guardar a lei, sem esperar coisa alguma em troca. Podemos
passar a vida inteira numa cidade e observar suas leis. A municipalidade
irá premiá-lo por não tê-las desobedecido? Por certo que não. É nosso
dever cumpri-las. Suponhamos, porém, que, depois de viver dentro da lei por
vinte anos, você cometesse um crime. As autoridades o sentenciariam
à prisão, por ter infringido a lei. A Bíblia diz que a maldição pesa sobre
todos os que quebram a lei, ao passo que a bênção recai sobre todos os que
vivem pela fé.
“Cristo
nos regatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar”
(3.13). Visto
que todos tinham quebrado a lei, todos se achavam debaixo da sua maldição. Mas
Cristo nos remiu. Não voltemos para a lei da qual Cristo nos remiu. “Ó gálatas insensatos,
quem vos fascinou para que vos desviásseis da bênção da fé para
a maldição da lei?”.
A lei
trata do que somos e fazemos, enquanto a graça trata do que Cristo é e
faz. Qual é o valor da lei? Temos a resposta em Gálatas 3.19,20. Tudo tem
seu propósito. Vejamos qual é o propósito da lei. A lei foi dada para
restringir o ímpio, punindo o crime, assim como as leis civis servem para
impedir que os homens matem e roubem, com medo da prisão. Essas restrições não
tornam os homens justos; apenas os refreiam do crime.
A lei
também possui um propósito espiritual. Ela nos revela o pecado, a cegueira e o
desprezo a Deus. Pelo fato de não matar nem roubar, alguém pode se considerar
justo. Como é que Deus mostra o que de fato essa pessoa é? Com o martelo
da lei. Enquanto se considerar justa a seus próprios olhos, será orgulhosa e
desprezará a graça de Deus. Esse monstro da justiça própria precisa de um
grande machado, e alei é esse instrumento. Quando a pessoa percebe, pela lei,
que está debaixo da ira de Deus, começa a rebelar-se e queixar-se contra Deus.
A lei inspira ódio a Deus. O que essa pancada do braço da lei consegue?
Ajuda-nos a achar o caminho da graça. Quando a consciência fica completamente
dominada pelo medo da lei, está pronta a receber o evangelho.
A lei revela
o pecado, porém não o remove. Prova que todo homem é pecador por natureza
e o conduz a Cristo. Muitas vezes, pensamos que nos tornamos pecadores ao
cometermos atos pecaminosos, mas é porque já somos pecadores que
praticamos esses atos. O homem mente porque é mentiroso; rouba porque
é ladrão. Não se torna mentiroso quando profere a mentira. Ela prova
tão-somente que ele é mentiroso.
A lei
foi dada também para nos conduzir a Cristo quando mostra a nossa necessidade. O
evangelho diz que Cristo é o único capaz de atender a essa necessidade
(3.23-4.11). Paulo declara que a lei nos serviu de mestre para despertar em nós
o senso da necessidade que temos de Cristo, a fim de que pudéssemos alcançar a
justificação da fé (3.24). A lei de Deus não é como o mestre de antigamente —
um verdadeiro tirano. Sua lei não tem o propósito de nos atormentar. A lei de
Deus é como o bom professor que ensina as crianças a terem prazer nas coisas
que antes detestavam.
A lei
realmente tem seu lugar em conduzir-nos a uma experiência cristã. Você
já viu uma pessoa tentar costurar sem agulha? Conseguiria muito pouco se
usasse só a linha. É assim que Deus lida conosco. Ele usa a agulha da
lei primeiro porque estamos dormindo tão profundamente em nossos pecados que
precisamos ser despertados por alguma coisa pontuda. Depois que a agulha da lei
penetrou em nosso coração, ele puxa a linha do evangelho do amor, da paz e da
alegria.
FILHOS
DE DEUS
Paulo
diz que nem todos são filhos de Deus. É a fé em Cristo, e não as
obras da lei, a paternidade de Deus e a fraternidade dos homens, que nos torna
filhos de Deus. “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus” (3.26).
É a fé, e não as obras, que nos introduz na família de Deus. Enquanto
o herdeiro é menor de idade, não há nenhuma diferença entre ele e um
escravo, porque está sob o controle de um tutor. Desse modo, Paulo mostra
em Gálatas 4.5,6 que todos os cristãos são filhos de Deus, mas nem todos os
filhos são adultos.
“Adoção”
é um termo da lei romana que significa designar alguém à posição legal de
filho. Isso pode acontecer quando se recebe uma pessoa que não pertence à
família por nascimento, ou pelo ato legal do reconhecimento da sua maioridade.
Cristo veio remir-nos para que não mais fôssemos escravos, debaixo da lei, mas
possuíssemos todos os privilégios de filhos adultos e herdeiros.
Usando
outro exemplo da posição deles como pessoas livres em Cristo, Paulo lembra-lhes
que Abraão teve dois filhos: Ismael, filho de Hagar, a escrava; e Isaque, filho
de Sara, a livre. Ismael
não desfrutou as bênçãos de filho no lar de Abraão, mas foi deixado de fora,
ainda que fosse o primogênito, e Isaque foi chamado. É isso que acontece
aos que procuram salvar-se pela lei. Mas Isaque, o filho da promessa e da fé,
foi o herdeiro de tudo. Do mesmo modo, somos herdeiros de uma promessa
espiritual.
PAULO DESEJA QUE O EVANGELHO SEJA APLICADO (Gl 5 e 6)
A
primeira aplicação do evangelho diz respeito à liberdade pessoal da lei.
Paulo quer que os gálatas se apeguem à sua liberdade pessoal. É o evangelho
da graça de Deus que dá a verdadeira liberdade (5.1-12). “Para a liberdade
foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes...” (5.1,2). Se os
gálatas procuravam salvar-se pela observância da lei, estavam presos a ela. A liberdade
deles deve ser considerada de alto preço, por ter custado
tanto — o sangue de Cristo.
Permanecei
firmes. Essa é uma das expressões prediletas de Paulo. Permaneçam firmes:
1. na
fé — 1Coríntios 16.13;
2. na
liberdade — Gálatas 5.1;
3. no
Espírito — Filipenses 1.27;
4. no
Senhor— Filipenses 4.1.
O
evangelho da graça guarda-nos da imprudência (5.13-15). Muitos têm receio de
viver debaixo da graça, pois poderá levá-los a viver a seu bel-prazer. A graça,
porém, sempre leva o homem a viver de modo agradável a Deus.
O
mau uso da liberdade
Por
falta de amor — Gálatas 5.13-15. “Porque toda a lei se cumpre em um só
preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (v. 14). Pratique o
amor!
Por uma
vida impura — Gálatas 5.16-26. Veja a atuação da carne e leia a relação de suas
15 obras (5.19-21). Esses são peca- dos tanto da mente quanto do corpo. Somos
assim por natureza, e essas são as coisas que praticamos. Cristo deu-nos o
Espírito Santo para nos libertar delas. “Andai no Espírito e jamais
satisfareis à concupiscência da carne” (5.16). Deixe que o
Espírito Santo dirija a sua vida.A criança aprende a andar com alguém lhe
segurando
a mão. Nós começamos a andar no Espírito quando ele nos segura. No entanto,
não é só uma ajuda externa, como no caso da criança; é uma
ajuda interior. Ele nos guia os passos (5.16)!
O fruto
do Espírito
Para
com Deus: AMOR, PAZ, ALEGRIA
Para
com o próximo: Longanimidade, Benignidade, Bondade
Para
com nós mesmos: Fidelidade, Mansidão, Domínio próprio
Em
oposição às obras da carne, vemos o fruto do Espírito (5.22,23). Se
permanecermos em Cristo, produziremos fruto para Deus. Essas nove manifestações
do Espírito são uma realidade em nós?
SEMEADURA
E COLHEITA (Gl 6.7-9)
“Aquilo
que o homem semear, isso também ceifará” (6.7).
Se
semearmos no Espírito, teremos uma colheita espiritual. Se semearmos na carne
(os baixos instintos), colheremos fraqueza moral (6.7,8).
A
colheita não será de acordo com o que sabemos, mas de acordo com o que
semeamos. Podemos ter abundância de grãos no celeiro da mente, mas, se não
forem plantados em terreno apropriado, não produzirão fruto. Semeie a semente
dos pensamentos em palavras e ações. A Palavra de Deus sempre gera semente
segundo a sua espécie.
Semeie
as sementes da sua vida no solo do Espírito, e não no da carne. Semeadas no
Espírito, elas honrarão a Deus; semeadas na carne, vão apodrecer e produzir
corrupção. O Espírito só produz frutos bons; a carne para nada aproveita.
Muitos
se enganam ao dizerem: “Não importa o que eu semeie desde
que seja sincero”. Seria esse um bom conselho para o lavrador? A vida egoísta
nunca produzirá o fruto do Espírito. Semear e colher são termos da
agricultura. O trabalhador não é comparado a um vendedor ou a um
mecânico, mas a um agricultor. A
obra cristã não é comprar e vender, mas semear e colher.
Quando lidamos com almas, não somos mecânicos. Nosso trabalho
não é consertar vidas, mas plantar a Palavra viva.
Paulo
trazia em seu corpo as marcas de um escravo de Jesus (6.17). Eram marcas de: propriedade
— Pertenço a outrem. A palavra grega stigmata (marca) significa uma gravação
feita no rosto, no corpo ou no braço
do escravo ou do criminoso. Quais
eram as marcas de Paulo? Eram cicatrizes que ele havia recebido nas
perseguições e provações sofridas por amor a Cristo (2Co 6.4; 11.23). As mãos
calejadas do operário revelam seu trabalho rude; o rosto crestado do homem do
mar, as feridas do soldado, as rugas no rosto da mãe, todos são dignos de
honra. As marcas do escravo de Cristo falam primeiro, de um caráter transformado e
depois da obra de amor realizada para ele. Dedicação Que cicatrizes receberam os
falsos mestres por causa de Cristo? Nenhuma. Eles souberam poupar-se. Mas olhem
as minhas, diz o apóstolo.
Comissão
— Os falsos mestres tinham chegado munidos de cartas de autorização. Ao que
Paulo dizia: “Não trago cartas de recomendação, mas vejam minhas cicatrizes.
Elas constituem a minha comissão”.
Em
Cristo, somos livres para conhecer a vida ilimitada que há nele. Nele
somos uma nova criação (6.15); temos nova vida em Cristo. Não
é de admirar que Paulo exclamasse: “Mas longe esteja de mim gloriar-me
senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo
está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (614). Que me importa
o mundo? Tenho Cristo, e por isso tenho tudo. Paulo está dizendo: “Oh, a
alegria de uma vida livre e plena em Cristo Jesus!”.
CONTRASTES
NO LIVRO DE GÁLATAS
Graça e
lei
Aquilo
que distingue a fé cristã de todas as outras é a graça de Deus.
Graça é o favor imerecido de Deus a nós.
A lei
mostra a nossa necessidade.
A graça
mostra a provisão de Deus para atender a essa necessidade.
A lei
diz que temos de trabalhar para obtermos salvação — “Faça!”
A graça
diz que a salvação é gratuita, é um dom — “Feito!”
Fé e obras
A
fé nos leva a receber a salvação, confiando.
As
obras nos mantêm lutando para merecê-la.
Frutos
do Espírito e obras da carne
O
Espírito dá-nos vitória diária sobre o pecado.
A carne
torna-nos propensos ao pecado.
Cruz e
mundo
A cruz
significa amor e sacrifício.
O mundo
sugere força e egoísmo.
Plano de Estudo Semanal:
&Domingo: UM só EVANGELHO Gálatas 1.1-24
&Segunda: JUSTIFICADOS PELA É Gálatas 2.1-21
&Terça:
A LEI APONTA PARA CRISTO Gálatas 3.1-29
&Quarta:
A LEI E A GRAÇA Gálatas 4.1-3 1
&Quinta:
FIRMES NA LIBERDADE RISTÃ Gálatas 5.1-16
&Sexta:
CARNE VERSUS ESPÍRITO Gálatas 5.17-26
&Sábado:
SEMEADURA E COLHEITA Gálatas 6.1-18