sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O EVANGELHO DE LUCAS


LUCAS 
Lucas apresenta Jesus Cristo, o Filho do homem 
O autor do terceiro evangelho foi o médico Lucas, companheiro de Paulo (At 16.10-24; 2Tm 4.11; Cl 4.14). Natural da Síria, aparentemente não era judeu, pois Colossenses 4.14 o situa entre outros cristãos gentios. Se isso é verdade, ele foi o único escritor gentio do NT.
Ë fácil ver que Lucas era homem culto e observador perspicaz. Ficamos sabendo que o livro de Atos dos Apóstolos foi escrito pelo autor do terceiro evangelho (At 1.1).
O evangelho de Lucas foi escrito para os gregos. Além do judeu e do romano, o grego também estava se preparando para a vinda de Cristo. Era diferente dos outros dois em muitos aspectos: Possuía cultura mais ampla, amava o belo, a retórica e a filosofia. Lucas, grego culto, era o homem talhado para essa tarefa. Apresenta Jesus como o ideal da perfeita varonil idade.
Observe que a inspiração não destrói a individualidade. Na introdução (1.1-4), o elemento humano aparece em conexão com a revelação de Deus. Lucas dirigiu seu evangelho a um homem chamado Teófilo, ao que parece um cristão leigo influente na Grécia.
Mateus apresenta Cristo aos judeus como Rei.
Marcos apresenta-o aos romanos como Servo de Jeová.
Lucas apresenta-o aos gregos como Homem perfeito.
É o evangelho para o pecador. Revela o amor compassivo de Cristo tornando-se homem para salvar o homem. Em Lucas, vemos Deus manifesto na carne. Ele focaliza a humanidade de nosso Senhor; revela o Salvador como homem, com toda a sua compaixã6, seus sentimentos e poder - um Salvador adequado a todos. Nesse evangelho, vemos o Deus da glória descer até nós, assumir nossas condições e sujeitar-se às nossas circunstâncias.
Lucas é  o evangelho da varonilidade de Cristo. Devemos lembrar, entretanto, que embora Jesus se misturasse com os homens, apresenta um profundo contraste com eles. Era o Deus-homem solitário. Havia uma grande diferença entre Cristo como Filho de Deus e nós, filhos dos homens. A diferença não é só relativa, mas absoluta. As palavras do anjo a Maria: “O ente santo que há de nascer” (1.35) refere-se à humanidade de nosso Senhor em contraste com a nossa. A natureza humana é impura (Is 64.6), mas o Filho de Deus, quando encarnou, era “santo”. Adão, no estado anterior à Queda, era inocente, mas Cristo era “santo”.
Conforme o tema de seu evangelho, o Dr. Lucas dá-nos informações minuciosas quanto ao nascimento miraculoso de Jesus. Somos gratos porque o testemunho principal desse fato chegou a nós por um médico. Cristo, o Criador do Universo, entrou no mundo como qualquer outro homem. Esse é  o mistério dos mistérios, mas temos fatos suficientes que nos permitem verificar a veracidade dessas predições. Só Lucas conta a história da visita dos pastores (2.8-20).
Desse evangelho aprendemos que, como menino, Jesus se desenvolveu naturalmente (2.40-52). Como criança, era sujeito a José e Maria (2.5 1). Não há nenhum registro de crescimento malsão ou sobrenatural. É Lucas somente quem conta a visita de Jesus ao templo aos 12 anos.
Como homem, trabalhou com as mãos, chorou sobre a cidade, ajoelhou-se em oração e conheceu a agonia do sofrimento. Tudo isso é profundamente humano. Cinco dos seis milagres foram de cura. Só Lucas fala da cura da orelha de Malco (Lc 22.51).
Lucas é  o evangelho dos desprezados. Ele nos fala do bom samaritano (10.33), do publicano (18.13), do filho pródigo (15.11-24), de Zaqueu (19.2) e do ladrão na cruz (23.43). É o autor que mais tem o que dizer sobre a mulher (caps. 1 e 2). Menciona a compaixão de Jesus pela viúva de Naim e sua profunda misericórdia pela adúltera. Sua consideração por mulheres e crianças é demonstrada em 7.46; 8.3; 8.42; 9.38; 10.38-42; 11.27; 23.37.
Só Lucas registra que, quando Jesus contemplou a cidade de Jerusalém, chorou sobre ela; só ele menciona o Filho de Deus suando sangue no Getsêmani; sua misericórdia dirigida ao ladrão moribundo na cruz; a caminhada com os dois discípulos a caminho de Emaús. Ele também refere-se ao fato de Jesus levar os discípulos até Betânia e que, quando ergueu as mãos e os abençoou, retirou-se deles.
Lucas é  um livro cheio de poesia. Abre com um hino: “Glória a Deus!”. Encerra com um hino: “E estavam sempre no templo, louvando a Deus”. A partir daí, o mundo tem cantado. Graças a Deus por um evangelho assim, que preserva gemas preciosas da hinologia cristã:
O Magnfico — hino de regozijo de Maria (1.46-55)
O hino de Zacarias (1.68-79)
O hino dos anjos (2.8-14)
Lucas fala mais das orações de nosso Senhor que qualquer outro dos evangelhos. A oração é a expressão da dependência de Deus. Por que há  tanta atividade na igreja e tão poucos resultados de conversões reais para Deus? Por que se corre tanto de cá para lá e tão poucos são trazidos a Cristo? A resposta é simples.
Não há  bastante oração particular. A causa de Cristo não precisa de menos atividades, mas de mais oração.
Não há  bastante oração particular. A causa de Cristo não precisa de menos atividades, mas de mais oração.
A coisa mais difícil para os judeus e os cristãos primitivos aprenderem foi que os gentios teriam pleno acesso ao reino e à igreja. Simeão ensinou isso. Leia Lucas 2.32. Cristo enviou os 70 discípulos não só  às ovelhas perdidas da casa de Israel, mas a “cada cidade e lugar”  (10.1). Todo o ministério de Jesus do lado ocidental do Jordão foi para os gentios.

PREPARAÇÃO DO FILHO DO HOMEM (Lc 1.1-4.13)

O início desse belo livro é significativo. Um homem vai ser biografado, e o escritor, Lucas, dedica essa biografia a seu amigo Teófilo. Refere-se ao seu conhecimento pessoal do assunto: “depois de acurada investigação de tudo desde sua origem” (1.3). Revela calor humano na sua apresentação do Homem Jesus Cristo.
O capítulo de abertura é característico. João, como convém ao seu tema, começa assim: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Seu tom, através do livro, não é  deste mundo, mas Lucas é bem diferente. Ele começa com uma simples história terrena: “Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote”. Com o desenrolar da história, aparecem expressões de afeição e simpatia humana que nenhum dos outros evangelhos apresenta. Ficamos sabendo das circunstâncias que cercaram o nascimento e a infância do santo Filho de Deus e do que fora enviado como seu precursor. O nascimento de João Batista (1.57-80), o cântico dos anjos aos pastores (2.8-20), a circuncisão (2.21), a apresentação no templo (2.22-38) e a história do menino aos 12 anos (2.41-52) são todos apresentados por Lucas.
No capítulo 2, Lucas relata que “naqueles dias foi publicado um decreto de César Augusto convocando toda a população do império para recensear-se”  (2.1). Vem depois um fato que nunca encontraríamos em Mateus: José e Maria subiram para se alistar com os demais que iam cada um à sua cidade. Lucas mostra aqui não alguém com pretensões de domínio, mas um que veio para tomar seu lugar entre os homens.
Deus cumpre o que os profetas haviam dito. Miquéias dissera que Belém seria o lugar de nascimento de Jesus (Mq 5.2-5), porque ele pertencia à família de Davi. Maria, porém, vivia em Nazaré, que ficava a uns cento e sessenta quilômetros de Belém. Deus fez Roma baixar um decreto que obrigava Maria e José a irem a Belém, exatamente quando a criança estava para nascer. Não é maravilhoso como Deus usa o decreto de um monarca pagão para fazer cumprir suas profecias? Deus ainda move a mão dos governantes para a realização dos seus propósitos. 
Ouvimos a mensagem dos anjos aos pastores em vigília, mas não vemos os sábios do Oriente indagando sobre o recém-nascido Rei dos judeus. O anjo diz aos humildes pastores: “Eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador” (não o Rei) (2.10-12).
Por que o Pai permitiu que o seu bendito Filho, ao encarnar como homem, nascesse num lugar tão humilde? Lucas é o único que toca nesse ponto relativo à sua humanidade.

SUA INFÂNCIA

“Crescia o menino [...] e a graça de Deus estava sobre ele” (2.40). Aos 12 anos, Jesus subiu a Jerusalém com os pais para a festa, como todo menino judeu fazia nessa idade. Permaneceu em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Bem típico de um garoto! Eles o acharam assentado no meio dos mestres, “ouvindo-os e interrogando-os” (2.46). Quão intensamente humano é isso! Entretanto, lemos: “E todos os que ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas” (2.47). Lucas diz que ele era cheio de sabedoria. Lado a lado com o humano, há sempre a evidência de que era mais do que homem. Temos aqui as primeiras palavras de Jesus registradas: “Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” (2.49). É o primeiro autotestemunho da sua divindade.
Lemos em seguida: “E desceu com eles para Nazaré; e era- lhes submisso” (2.5 1). “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (2.52). Todas essas coisas são peculiares a Jesus como homem, e só Lucas as registra. É importante notarmos que Jesus era “popular” em Nazaré. Seguem-se dezoito anos de silêncio.
 
O BATISMO DE JESUS

Apareceu João Batista “pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados” (3.3). Então veio Jesus para ser batizado. Só Lucas relata que, “ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu” (3.2 1). Ele está  ligado “a todo o povo”; desceu ao nível do homem. Mateus e Marcos registram o batismo de Jesus, mas João o omite, porque ele é visto como o Filho unigênito de Deus. É Lucas quem nos dá a idade com que nosso Senhor iniciou seu ministério público (3.23).

GENEALOGIA

A genealogia de Jesus Cristo em Lucas é dada em conjunção com seu batismo, e não com seu nascimento (3.23). Há consideráveis diferenças entre a genealogia de Lucas e a de Mateus. Em Mateus, temos a genealogia real do Filho de Davi, por parte de José. Em Lucas, temos sua genealogia pessoal, pelo lado de Maria. Em Mateus, a genealogia é traçada desde Abraão; em Lucas, ela vai até Adão. Ambas são significativas. Mateus mostra a relação de Jesus com os judeus, por isso vai só até Abraão, pai da nação judaica. Em Lucas, Jesus aparece relacionado à raça humana, daí sua genealogia chegar até Adão, pai da humanidade.
Em Lucas, a linha ancestral de Jesus recua até Adão e é, sem dúvida, a linha de sua mãe. Em Lucas 3.23, não se diz que Jesus era filho de José. A expressão é: “Era, como se cuidava, filho de José”. Em Mateus 1.16, em que aparece a genealogia de José1 vemos que ele era filho de Jacó. Em Lucas, José é mencionado como filho de Heli. Ele não podia ser filho de dois homens por geração natural. Observe, porém, o seguinte: o registro não declara que Heli gerou José, daí supor-se que José era filho em virtude do casamento, isto é, genro de Heli. Acredita-se que Heli tenha sido pai de Maria.
A genealogia por parte de Davi passa por Natã, e não por Salomão. Isso também  é importante. O Messias deve ser filho e herdeiro de Davi (2Sm 7.12,13; Rm 1.3; At 2.30,31) e sua semente segundo a carne. Ele deve ser literalmente descendente de carne e sangue. Daí Maria e José  serem membros da casa de Davi (1.32).

A TENTAÇÃO

“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo” (4.1,2).
Só aqui somos informados de que o Salvador estava cheio do Espírito Santo ao voltar do batismo. Só Lucas menciona que “Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galiléia” (4.14), mostrando que a velha serpente fracassara por completo ao tentar cortar a comunhão do Filho do homem na terra com seu Pai no céu.
Assim como Jesus saiu do fogo da provação no poder inquebrantável do Espírito, também nós podemos fazê-lo. É somente quando estamos cheios do Espírito que podemos vencer a tentação pelo poder do mesmo Espírito.
O propósito da tentação não foi descobrir se Jesus cederia ou não a Satanás, mas demonstrar que ele não poderia ceder; mostrar que não havia nada nele que desse a Satanás o direito de fazer qualquer alegação. Cristo podia ser provado. Quanto mais se esmaga uma rosa, mais se sente a sua fragrância. Desse modo, quanto mais Satanás o pressionava, mais se revelava sua perfeição.
O MINISTÉRIO DO FILHO DO HOMEM (Lc 4.14 - 19.48) 
Estes são os acontecimentos da vida de Jesus, na ordem em que estão registrados:
Ministério ao redor da Galiléia - 4.14-9.50

Ministério em Nazaré, a cidade onde morava -4.16-30
Pregação em Cafarnaum - 4.31-44
Chamado de Pedro, Tiago e João - 5.1-11
Chamado de Mateus - 5.27-39
Os fariseus - 6.1-11
A escolha dos Doze - 6.12-16
A instrução aos discípulos - 6.17-49
Milagres - 7.1-17
Discursos do Mestre - 7.18-50
Parábolas - 8.4-18
Os verdadeiros parentes - 8.19-21
O mar acalmado - 8.22-25
A cura de um endemoninhado - 8.26-40
A mulher curada - 8.41-48
A ressurreição da filha de Jairo - 8.49-56
A missão dos Doze - 9.1-10
Cinco mil alimentados - 9.10-17
A confissão de Pedro - 9.18-21
A transfiguração - 9.27-36
A cura do jovem possesso - 9.37-43 
Ministério na Judéia - 9.51-19.27 
A missão dos setenta - 10.1-24
O bom samaritano -10.25-37
Marta e Maria- 10.38-42
Jesus ensina os discípulos a orar - 11.1-13
Buscando sinais -11.14-36
Os fariseus denunciados - 12.1-12
O pecado da avareza- 12.13-59
O arrependimento - 13.1-9
O reino de Deus - 13.18-30
Jesus fala sobre a hospitalidade - 14.1-24
Jesus fala sobre a renúncia - 14.25-3 5
O Salvador e os perdidos - 15.1-32
O administrador infiel - 16.1-30
A caminho de Jerusalém - 16.31-19.27

Ministério em Jerusalém - 19.28-24.53
  
A entrada triunfal - 19.28-38
A autoridade de Jesus posta em dúvida - 20.1-21.4
Acontecimentos futuros - 21.5-38
A última Páscoa de Jesus - 22.1-38
Jesus é  traído - 22.39-53
Julgado perante o sumo sacerdote - 22.54-71
Julgado perante Pilatos - 23.1-26
Á crucificação - 23.27-49
O sepultamento - 23.50-56
A ressurreição - 24.1-48
A ascensão  - 24.49-53
A lista não  é completa, mas dá uma vista geral da vida ativa do Filho do homem na terra. A palavra-chave de seu ministério é “compaixão”. 
Depois da tentação, Jesus, “indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler” (4.16).
Jesus declara aqui que Deus o havia ungido para anunciar libertação aos cativos e pregar boas-novas aos pobres e oprimidos. Escolheu o capítulo 61 de Isaías, que anunciava o objetivo da sua missão na terra. Fora comissionado e enviado por Deus e divinamente qualificado para a sua obra. Ele é nosso Redentor; fez-se semelhante a nós para nos libertar; tornou-se homem a fim de nos reconciliar com Deus.
No começo do ministério de Jesus, vemos os da sua própria cidade resolvidos a matá-lo (4.28-30). Eles disseram: “Não é este o filho de José?”. Este foi o primeiro sinal da sua futura rejeição. Jesus se havia proclamado Messias (4.21). Iraram-se por haver sugerido que o Messias deles seria enviado também aos gentios (Lc 4.24-30). Acreditavam que a graça de Deus estava limitada aos judeus e, por isso, estavam prontos a matá-lo. Ele recusou-se a realizar milagres ali por causa da incredulidade deles. Tentaram precipitá-lo de um monte, mas ele escapou e foi para Cafarnaum (4.29-31). (Comparando Lc 4.16 com Mt 13.54, parece que Jesus fez outra visita há Nazaré alguns meses mais tarde, mas sem resultado.)

EVANGELHO MUNDIAL

Os judeus odiavam os gentios por causa de como foram tratados por eles quando cativos na Babilônia. Olhavam-nos com desprezo; consideravam-nos imundos e inimigos de Deus. Lucas descreve Jesus derrubando essas barreiras entre judeus e gentios, apresentando o arrependimento e a fé como as únicas condições de entrada no reino. “E que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (24.47). O evangelho de Jesus Cristo não é simplesmente uma das religiões do mundo; é  a verdade viva de Deus adaptada a todas as nações e a todas as classes. Leia Romanos 1.16.
Como Filho do homem, Jesus atenta para as necessidades de todos os homens. Em Lucas 6, que é substancialmente igual ao Sermão do Monte em Mateus, encontramos amplos ensinos morais, aplicáveis às necessidades de todos. Ele resume em alguns versículos o que Mateus apresenta nos capítulos 5-7 (Lc 6.20-49). Não faz referência à lei e aos profetas como Mateus.
Jesus diz aqui palavras escolhidas a seus discípulos. As bem-aventuranças apresentam um retrato do cristão. Não é o que estamos nos esforçando por ser, mas o que somos em Cristo que nos traz alegria. As bem-aventuranças são um retrato de Cristo, pois expõem a face do próprio Jesus e descrevem o cristão perfeito.

OS DISCÍPULOS COMISSIONADOS

Ao serem comissionados os Doze (cap. 9), receberam uma tarefa mais ampla. Em Mateus, ouvimos o Senhor dizer: “Não tomeis rumo aos gentios [...] mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10.5,6). Lucas omite isso e diz: “Então, saindo, percorriam todas as aldeias, anunciando o evangelho [...] por toda parte” (Lc 9.6).
Aonde Jesus Cristo ia, seguia-o uma multidão, “e procuravam tocá-lo, porque dele saía poder; e curava a todos” (6.19). Ele dava de si mesmo; assim devemos servi-lo.
Jesus tem poder sobre a doença e a morte (7.1-17). Também demonstra ser amigo dos pecadores. Tinha vindo para “buscar e salvar o que se havia perdido”.  É chamado “amigo dos publicanos
e pecadores” (7.36-50).

JESUS CRISTO, O MESTRE

Os alunos - Jesus era Mestre. Seus discípulos foram instruídos e treinados para levar avante sua mensagem (6.12-16).
A escola - A matrícula nessa escola é controlada; há determinadas exigências. Mas, por outro lado, o ingresso é fácil. Não há barreira de idade, sexo, raça ou cor (14.25-33.)
Exigências de entrada - “E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” (14.27). “Todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (14.33).
Exames - Jesus conhece a capacidade e as limitações de cada aluno da sua escola. Seus exames não são os mesmos para todos; ele dá provas individuais. É fácil seguir as provas que deu a Pedro. Em Lucas 5, está provando a obediência de Pedro (5.5). Em 9.18, submeteu os alunos a um exame, e o impetuoso Pedro deu uma resposta surpreendente (9.18-20).
Normas a observar - Um relacionamento adequado com o Mestre deve ser mantido o tempo todo. Muitos pensam que basta um contato inicial com Jesus. Não é assim. Tem de haver estudo constante da sua Palavra, tempo gasto no laboratório da oração e na prática do exercício espiritual (9.59; 5.27).
Escola prática - Jesus não só lhes ensinou, mas os fez experimentar as grandes verdades que apresentava (10.1-12, 28,36, 37; 11.35; 12.8,9; 14.25-33; 18.18-26).
O curso - O curso incluía um estudo do reino e do Rei (7.28; 8.1; 9.2,11 62; 13.20,21; 12.32; 9.12,15; 22.29; 13.28,29; 17.20; 18.29).

O SOFRIMENTO DO FILHO DO HOMEM (Lc 20.1 - 23.56)

Jesus está sentado com os discípulos ao redor da mesa, celebrando a festa da Páscoa. Nessa ocasião, ele institui o que chamamos “a ceia do Senhor”. Ouça suas palavras: “Isto é o meu corpo oferecido por vós [...]. Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós” (22.19,20).  É diferente do registro de Mateus e Marcos. Eles dizem: “Meu sangue derramado a favor de muitos”. Seu amor é expresso de maneira muito pessoal em Lucas. Ele acrescenta: “Fazei isto em memória de mim”.
Observe o triste registro dos acontecimentos relacionados com a sua morte. Os discípulos estão discutindo sobre qual deles seria o maior no reino (22.24-27). Lemos acerca de Pedro e de sua lamentável história negando seu Senhor e Mestre (22.54-62).

O GETSÊMANI

Em agonia, Jesus está orando no jardim do Getsêmani, e seu suor se torna em gotas de sangue caindo sobre a terra. Lucas diz que um anjo apareceu para confortá-lo, fato que Mateus e Marcos não mencionam.
Por entre as sombras do jardim, chega um grupo de soldados, tendo à frente Judas. Este se aproxima para beijar Jesus. Sim, ele ainda é discípulo. As Escrituras dizem que Jesus seria traído por um amigo e vendido por 30 moedas de prata (Lc 22.47-62; SI 41.9; Zc 11.12).
O pior de tudo é que seus amigos o deixaram, abandonaram-no e fugiram, exceto João, o amado. Somente Lucas nos diz que Jesus olhou para Pedro e lhe partiu o coração com seu olhar de amor.
Seguimos Jesus até o pretório de Pilatos e depois perante Herodes (23.1-12). Avançamos pela Via Dolorosa até a cruz (23.27-38). Somente Lucas usa apalavra Calvário, que é o nome gentio de Gólgota. Lucas omite muita coisa que Mateus e Marcos registram, mas é o único a mencionar a oração (23.13-46).
Havia três cruzes no monte Calvário. Numa delas, estava um ladrão, morrendo por seus crimes. Lucas também registra o fato (23.39-45). Esse homem foi salvo do mesmo modo que todo pecador precisa ser salvo. Ele creu no Cordeiro de Deus que morreu na cruz naquele dia a fim de pagar a pena do pecado.
A cena do Calvário termina com o Filho do homem clamando em alta voz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (23.46). O centurião dá  este testemunho: “Verdadeiramente este homem era justo” (23.47). 
A VITÓRIA DO FILHO DO HOMEM (Lc 24.1-53)

Passamos, com grande alívio, da tristeza e da morte na cruz, da escuridão e do desalento do túmulo, para o esplendor e a glória da manhã da ressurreição.
Lucas dá-nos parte da cena que os outros não narram. É a história da caminhada a Emaús. Jesus mostra a esses dois discípulos que, como Senhor ressurreto, ele é exatamente o mesmo amigo amoroso e compreensivo que tinha sido antes de sua morte. Depois de caminhar ao seu lado, abrindo-lhes as Escrituras sem ser reconhecido, os discípulos insistem em que entre e passe a noite com eles. Ao levantar aquelas mãos que tinham sido perfuradas pelos cravos e para partir o pão, eles o reconheceram, mas Jesus desapareceu. Retornaram a Jerusalém e lá encontraram provas abundantes da ressurreição. Jesus provou que era um ente real com carne e ossos. Todos esses pormenores pertencem ao evangelho de Lucas.
Estão registradas nada menos que 11 aparições de Jesus, depois da ressurreição, não só a indivíduos, mas a grupos e multidões. Primeiro, às mulheres, a Maria e depois aos demais (Mc 16; Jo 20.14); depois, a Pedro sozinho (Lc 24.34); em seguida, aos dois de Emaús (Lc 24.13); aos dez apóstolos em Jerusalém [estando ausente Tomé] (Jo 20.19) e mais tarde aos 11 discípulos (Jo 20.26,29); depois disso, a sete deles no mar de Tiberíades (Jo 21.1). Mais adiante, ao grupo todo dos apóstolos num monte na Galiléia (Mt 28.16); depois, a 500 irmãos de uma vez (1Co 15.6); então, a Tiago (lCo 15.7); e, finalmente, ao pequeno grupo no monte das Oliveiras, na sua ascensão (Lc 24.51).
Três vezes lemos que os discípulos o tocaram após a ressurreição (Mt 28.9; Lc 24.39; Jo 20.27). Além disso, comeu com eles (Lc 24.42; Jo 21.12,13).
“Aconteceu que, enquanto os abençoava, {[...] foi elevado para o céu” (Lc 2451). O fato de ter sido “elevado” revela mais uma vez que ele era homem.
Já não  é um Cristo local, limitado a Jerusalém, mas um Cristo universal. Ele podia dizer aos discípulos que se lamentavam1 pensando que não mais o teriam consigo: “Eis que estou convosco todos os dias” (Mt 28.20). Como era diferente a esperança e a alegria desses seguidores escolhidos, do desespero e opróbrio da crucificação! Eles voltaram a Jerusalém com grande alegria.

VITAMINAS ESPIRITUMS / DOSES MÍNIMAS DIÁRIAS

Domingo: “SEMELHANTE AOS IRMÃOS” Lucas 1. 1-3.38
Segunda: “TENTADO [...] À NOSSA SEMELHANÇA” Lucas 4.1-8.3
Terça: “COMPADECEU-SE DAS NOSSAS FRAQUEZAS” Lucas 8.4-12.48
Quarta: “CUMPRIA-ME ESTAR NA CASA DE MEU PAI” Lucas 12.49-16.31
Quinta: “JAMAIS ALGUÉM FALOU COMO ESTE HOMEM” Lucas 17. 1-19.27
Sexta: “TU ÉS UM RESGATADOR” Lucas 19.28-23.56
Sábado: “POR FIM SE LEVANTARÁ SOBRE A TERRA” Lucas 24.1-53   Lucas apresenta Jesus Cristo, o Filho do homem  
O autor do terceiro evangelho foi o médico Lucas, companheiro de Paulo (At 16.10-24; 2Tm 4.11; Cl 4.14). Natural da Síria, aparentemente não era judeu, pois Colossenses 4.14 o situa entre outros cristãos gentios. Se isso é verdade, ele foi o único escritor gentio do NT. É fácil ver que Lucas era um homem culto e observador perspicaz. Ficamos sabendo que o livro de Atos dos Apóstolos foi escrito pelo autor do terceiro evangelho (At 1.1). O evangelho de Lucas foi escrito para os gregos. Além do judeu e do romano, o grego também estava se preparando para a vinda de Cristo. Era diferente dos outros dois em muitos aspectos: Possuía cultura mais ampla, amava o belo, a retórica e a filosofia. Lucas, grego culto, era o homem talhado para essa tarefa. Apresenta Jesus como o ideal da perfeita varonil idade. Observe que a inspiração não destrói a individualidade. Na introdução (1.1-4), o elemento humano aparece em conexão com a revelação de Deus. Lucas dirigiu seu evangelho a um homem chamado Teófilo, ao que parece um cristão leigo influente na Grécia.
Mateus apresenta Cristo aos judeus como Rei.
Marcos apresenta-o aos romanos como Servo de Jeová. 
Lucas apresenta-o aos gregos como Homem perfeito.
É o evangelho para o pecador. Revela o amor compassivo de Cristo tornando-se homem para salvar o homem. Em Lucas, vemos Deus manifesto na carne. Ele focaliza a humanidade de nosso Senhor; revela o Salvador como homem, com toda a sua compaixã6, seus sentimentos e poder - um Salvador adequado a todos. Nesse evangelho, vemos o Deus da glória descer até nós, assumir nossas condições e sujeitar-se às nossas circunstâncias. Lucas é  o evangelho da varonilidade de Cristo. Devemos lembrar, entretanto, que embora Jesus se misturasse com os homens, apresenta um profundo contraste com eles. Era o Deus-homem solitário. Havia uma grande diferença entre Cristo como Filho de Deus e nós, filhos dos homens. A diferença não é só relativa, mas absoluta. As palavras do anjo a Maria: “O ente santo que há de nascer” (1.35) refere-se à humanidade de nosso Senhor em contraste com a nossa. A natureza humana é impura (Is 64.6), mas o Filho de Deus, quando encarnou, era “santo”. Adão, no estado anterior à Queda, era inocente, mas Cristo era “santo”. Conforme o tema de seu evangelho, o Dr. Lucas dá-nos informações minuciosas quanto ao nascimento miraculoso de Jesus. Somos gratos porque o testemunho principal desse fato chegou a nós por um médico. Cristo, o Criador do Universo, entrou no mundo como qualquer outro homem. Esse é  o mistério dos mistérios, mas temos fatos suficientes que nos permitem verificar a veracidade dessas predições. Só Lucas conta a história da visita dos pastores (2.8-20).Desse evangelho aprendemos que, como menino, Jesus se desenvolveu naturalmente (2.40-52). Como criança, era sujeito a José e Maria (2.5 1). Não há nenhum registro de crescimento malsão ou sobrenatural. É Lucas somente quem conta a visita de Jesus ao templo aos 12 anos.
Como homem, trabalhou com as mãos, chorou sobre a cidade, ajoelhou-se em oração e conheceu a agonia do sofrimento. Tudo isso é profundamente humano. Cinco dos seis milagres foram de cura. Só Lucas fala da cura da orelha de Malco (Lc 22.51).
Lucas é  o evangelho dos desprezados. Ele nos fala do bom samaritano (10.33), do publicano (18.13), do filho pródigo (15.11-24), de Zaqueu (19.2) e do ladrão na cruz (23.43). É o autor que mais tem o que dizer sobre a mulher (caps. 1 e 2). Menciona a compaixão de Jesus pela viúva de Naim e sua profunda misericórdia pela adúltera. Sua consideração por mulheres e crianças é demonstrada em 7.46; 8.3; 8.42; 9.38; 10.38-42; 11.27; 23.37. Só Lucas registra que, quando Jesus contemplou a cidade de Jerusalém, chorou sobre ela; só ele menciona o Filho de Deus suando sangue no Getsêmani; sua misericórdia dirigida ao ladrão moribundo na cruz; a caminhada com os dois discípulos a caminho de Emaús. Ele também refere-se ao fato de Jesus levar os discípulos até Betânia e que, quando ergueu as mãos e os abençoou, retirou-se deles. Lucas é  um livro cheio de poesia. Abre com um hino: “Glória a Deus!”. Encerra com um hino: “E estavam sempre no templo, louvando a Deus”. A partir daí, o mundo tem cantado. Graças a Deus por um evangelho assim, que preserva gemas preciosas da hinologia cristã: 
O Magnfico — hino de regozijo de Maria (1.46-55)
O hino de Zacarias (1.68-79)
O hino dos anjos (2.8-14)
Lucas fala mais das orações de nosso Senhor que qualquer outro dos evangelhos. A oração é a expressão da dependência de Deus. Por que há  tanta atividade na igreja e tão poucos resultados de conversões reais para Deus? Por que se corre tanto de cá para lá e tão poucos são trazidos a Cristo? A resposta é simples. Não há  bastante oração particular. A causa de Cristo não precisa de menos atividades, mas de mais oração.  A coisa mais difícil para os judeus e os cristãos primitivos aprenderem foi que os gentios teriam pleno acesso ao reino e à igreja. Simeão ensinou isso. Leia Lucas 2.32. Cristo enviou os 70 discípulos não só  às ovelhas perdidas da casa de Israel, mas a “cada cidade e lugar”  (10.1). Todo o ministério de Jesus do lado ocidental do Jordão foi para os gentios.

PREPARAÇÃO DO FILHO DO HOMEM (Lc 1.1-4.13)
O início desse belo livro é significativo. Um homem vai ser biografado, e o escritor, Lucas, dedica essa biografia a seu amigo Teófilo. Refere-se ao seu conhecimento pessoal do assunto: “depois de acurada investigação de tudo desde sua origem” (1.3). Revela calor humano na sua apresentação do Homem Jesus Cristo. O capítulo de abertura é característico. João, como convém ao seu tema, começa assim: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Seu tom, através do livro, não é  deste mundo, mas Lucas é bem diferente. Ele começa com uma simples história terrena: “Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote”. Com o desenrolar da história, aparecem expressões de afeição e simpatia humana que nenhum dos outros evangelhos apresenta. Ficamos sabendo das circunstâncias que cercaram o nascimento e a infância do santo Filho de Deus e do que fora enviado como seu precursor. O nascimento de João Batista (1.57-80), o cântico dos anjos aos pastores (2.8-20), a circuncisão (2.21), a apresentação no templo (2.22-38) e a história do menino aos 12 anos (2.41-52) são todos apresentados por Lucas.
No capítulo 2, Lucas relata que “naqueles dias foi publicado um decreto de César Augusto convocando toda a população do império para recensear-se”  (2.1). Vem depois um fato que nunca encontraríamos em Mateus: José e Maria subiram para se alistar com os demais que iam cada um à sua cidade. Lucas mostra aqui não alguém com pretensões de domínio, mas um que veio para tomar seu lugar entre os homens. Deus cumpre o que os profetas haviam dito. Miquéias dissera que Belém seria o lugar de nascimento de Jesus (Mq 5.2-5), porque ele pertencia à família de Davi. Maria, porém, vivia em Nazaré, que ficava a uns cento e sessenta quilômetros de Belém. Deus fez Roma baixar um decreto que obrigava Maria e José a irem a Belém, exatamente quando a criança estava para nascer. Não é maravilhoso como Deus usa o decreto de um monarca pagão para fazer cumprir suas profecias? Deus ainda move a mão dos governantes para a realização dos seus propósitos.
Ouvimos a mensagem dos anjos aos pastores em vigília, mas não vemos os sábios do Oriente indagando sobre o recém-nascido Rei dos judeus. O anjo diz aos humildes pastores: “Eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador” (não o Rei) (2.10-12).  Por que o Pai permitiu que o seu bendito Filho, ao encarnar como homem, nascesse num lugar tão humilde? Lucas é o único que toca nesse ponto relativo à sua humanidade.

SUA INFÂNCIA
 “Crescia o menino [...] e a graça de Deus estava sobre ele” (2.40). Aos 12 anos, Jesus subiu a Jerusalém com os pais para a festa, como todo menino judeu fazia nessa idade. Permaneceu em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Bem típico de um garoto! Eles o acharam assentado no meio dos mestres, “ouvindo-os e interrogando-os” (2.46). Quão intensamente humano é isso! Entretanto, lemos: “E todos os que ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas” (2.47). Lucas diz que ele era cheio de sabedoria. Lado a lado com o humano, há sempre a evidência de que era mais do que homem. Temos aqui as primeiras palavras de Jesus registradas: “Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” (2.49). É o primeiro autotestemunho da sua divindade. Lemos em seguida: “E desceu com eles para Nazaré; e era- lhes submisso” (2.5 1). “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (2.52). Todas essas coisas são peculiares a Jesus como homem, e só Lucas as registra. É importante notarmos que Jesus era “popular” em Nazaré. Seguem-se dezoito anos de silêncio.

O BATISMO DE JESUS
Apareceu João Batista “pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados” (3.3). Então veio Jesus para ser batizado. Só Lucas relata que, “ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu” (3.2 1). Ele está  ligado “a todo o povo”; desceu ao nível do homem. Mateus e Marcos registram o batismo de Jesus, mas João o omite, porque ele é visto como o Filho unigênito de Deus. É Lucas quem nos dá a idade com que nosso Senhor iniciou seu ministério público (3.23).

GENEALOGIA
A genealogia de Jesus Cristo em Lucas é dada em conjunção com seu batismo, e não com seu nascimento (3.23). Há consideráveis diferenças entre a genealogia de Lucas e a de Mateus. Em Mateus, temos a genealogia real do Filho de Davi, por parte de José. Em Lucas, temos sua genealogia pessoal, pelo lado de Maria. Em Mateus, a genealogia é traçada desde Abraão; em Lucas, ela vai até Adão. Ambas são significativas. Mateus mostra a relação de Jesus com os judeus, por isso vai só até Abraão, pai da nação judaica. Em Lucas, Jesus aparece relacionado à raça humana, daí sua genealogia chegar até Adão, pai da humanidade. Em Lucas, a linha ancestral de Jesus recua até Adão e é, sem dúvida, a linha de sua mãe. Em Lucas 3.23, não se diz que Jesus era filho de José. A expressão é: “Era, como se cuidava, filho de José”. Em Mateus 1.16, em que aparece a genealogia de José1 vemos que ele era filho de Jacó. Em Lucas, José é mencionado como filho de Heli. Ele não podia ser filho de dois homens por geração natural. Observe, porém, o seguinte: o registro não declara que Heli gerou José, daí supor-se que José era filho em virtude do casamento, isto é, genro de Heli. Acredita-se que Heli tenha sido pai de Maria. A genealogia por parte de Davi passa por Natã, e não por Salomão. Isso também  é importante. O Messias deve ser filho e herdeiro de Davi (2Sm 7.12,13; Rm 1.3; At 2.30,31) e sua semente segundo a carne. Ele deve ser literalmente descendente de carne e sangue. Daí Maria e José  serem membros da casa de Davi (1.32).

A TENTAÇÃO
“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo” (4.1,2). Só aqui somos informados de que o Salvador estava cheio do Espírito Santo ao voltar do batismo. Só Lucas menciona que “Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galiléia” (4.14), mostrando que a velha serpente fracassara por completo ao tentar cortar a comunhão do Filho do homem na terra com seu Pai no céu. Assim como Jesus saiu do fogo da provação no poder inquebrantável do Espírito, também nós podemos fazê-lo. É somente quando estamos cheios do Espírito que podemos vencer a tentação pelo poder do mesmo Espírito. O propósito da tentação não foi descobrir se Jesus cederia ou não a Satanás, mas demonstrar que ele não poderia ceder; mostrar que não havia nada nele que desse a Satanás o direito de fazer qualquer alegação. Cristo podia ser provado. Quanto mais se esmaga uma rosa, mais se sente a sua fragrância. Desse modo, quanto mais Satanás o pressionava, mais se revelava sua perfeição. 
O MINISTÉRIO DO FILHO DO HOMEM (Lc 4.14 - 19.48)  
Estes são os acontecimentos da vida de Jesus, na ordem em que estão registrados:
Ministério ao redor da Galiléia - 4.14-9.50

Ministério em Nazaré, a cidade onde morava -4.16-30
Pregação em Cafarnaum - 4.31-44
Chamado de Pedro, Tiago e João - 5.1-11
Chamado de Mateus - 5.27-39
Os fariseus - 6.1-11
A escolha dos Doze - 6.12-16
A instrução aos discípulos - 6.17-49
Milagres - 7.1-17
Discursos do Mestre - 7.18-50
Parábolas - 8.4-18
Os verdadeiros parentes - 8.19-21
O mar acalmado - 8.22-25
A cura de um endemoninhado - 8.26-40
A mulher curada - 8.41-48
A ressurreição da filha de Jairo - 8.49-56
A missão dos Doze - 9.1-10
Cinco mil alimentados - 9.10-17
A confissão de Pedro - 9.18-21
A transfiguração - 9.27-36
A cura do jovem possesso - 9.37-43  
Ministério na Judéia - 9.51-19.27  
A missão dos setenta - 10.1-24
O bom samaritano -10.25-37
Marta e Maria- 10.38-42
Jesus ensina os discípulos a orar - 11.1-13
Buscando sinais -11.14-36
Os fariseus denunciados - 12.1-12
O pecado da avareza- 12.13-59
O arrependimento - 13.1-9
O reino de Deus - 13.18-30
Jesus fala sobre a hospitalidade - 14.1-24
Jesus fala sobre a renúncia - 14.25-3 5
O Salvador e os perdidos - 15.1-32
O administrador infiel - 16.1-30
A caminho de Jerusalém - 16.31-19.27

Ministério em Jerusalém - 19.28-24.53

A entrada triunfal - 19.28-38
A autoridade de Jesus posta em dúvida - 20.1-21.4
Acontecimentos futuros - 21.5-38
A última Páscoa de Jesus - 22.1-38
Jesus é  traído - 22.39-53
Julgado perante o sumo sacerdote - 22.54-71
Julgado perante Pilatos - 23.1-26
Á crucificação - 23.27-49
O sepultamento - 23.50-56
A ressurreição - 24.1-48
A ascensão  - 24.49-53
A lista não  é completa, mas dá uma vista geral da vida ativa do Filho do homem na terra. A palavra-chave de seu ministério é “compaixão”.  Depois da tentação, Jesus, “indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler” (4.16).
Jesus declara aqui que Deus o havia ungido para anunciar libertação aos cativos e pregar boas-novas aos pobres e oprimidos. Escolheu o capítulo 61 de Isaías, que anunciava o objetivo da sua missão na terra. Fora comissionado e enviado por Deus e divinamente qualificado para a sua obra. Ele é nosso Redentor; fez-se semelhante a nós para nos libertar; tornou-se homem a fim de nos reconciliar com Deus. No começo do ministério de Jesus, vemos os da sua própria cidade resolvidos a matá-lo (4.28-30). Eles disseram: “Não é este o filho de José?”. Este foi o primeiro sinal da sua futura rejeição. Jesus se havia proclamado Messias (4.21). Iraram-se por haver sugerido que o Messias deles seria enviado também aos gentios (Lc 4.24-30). Acreditavam que a graça de Deus estava limitada aos judeus e, por isso, estavam prontos a matá-lo. Ele recusou-se a realizar milagres ali por causa da incredulidade deles. Tentaram precipitá-lo de um monte, mas ele escapou e foi para Cafarnaum (4.29-31). (Comparando Lc 4.16 com Mt 13.54, parece que Jesus fez outra visita há Nazaré alguns meses mais tarde, mas sem resultado.)

EVANGELHO MUNDIAL
Os judeus odiavam os gentios por causa de como foram tratados por eles quando cativos na Babilônia. Olhavam-nos com desprezo; consideravam-nos imundos e inimigos de Deus. Lucas descreve Jesus derrubando essas barreiras entre judeus e gentios, apresentando o arrependimento e a fé como as únicas condições de entrada no reino. “E que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (24.47). O evangelho de Jesus Cristo não é simplesmente uma das religiões do mundo; é  a verdade viva de Deus adaptada a todas as nações e a todas as classes. Leia Romanos 1.16. Como Filho do homem, Jesus atenta para as necessidades de todos os homens. Em Lucas 6, que é substancialmente igual ao Sermão do Monte em Mateus, encontramos amplos ensinos morais, aplicáveis às necessidades de todos. Ele resume em alguns versículos o que Mateus apresenta nos capítulos 5-7 (Lc 6.20-49). Não faz referência à lei e aos profetas como Mateus. Jesus diz aqui palavras escolhidas a seus discípulos. As bem-aventuranças apresentam um retrato do cristão. Não é o que estamos nos esforçando por ser, mas o que somos em Cristo que nos traz alegria. As bem-aventuranças são um retrato de Cristo, pois expõem a face do próprio Jesus e descrevem o cristão perfeito.

OS DISCÍPULOS COMISSIONADOS
Ao serem comissionados os Doze (cap. 9), receberam uma tarefa mais ampla. Em Mateus, ouvimos o Senhor dizer: “Não tomeis rumo aos gentios [...] mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10.5,6). Lucas omite isso e diz: “Então, saindo, percorriam todas as aldeias, anunciando o evangelho [...] por toda parte” (Lc 9.6). Aonde Jesus Cristo ia, seguia-o uma multidão, “e procuravam tocá-lo, porque dele saía poder; e curava a todos” (6.19). Ele dava de si mesmo; assim devemos servi-lo.

Jesus tem poder sobre a doença e a morte (7.1-17). Também demonstra ser amigo dos pecadores. Tinha vindo para “buscar e salvar o que se havia perdido”.              É chamado “amigo dos publicanos e pecadores” (7.36-50)
 
JESUS CRISTO, O MESTRE
Os alunos - Jesus era Mestre. Seus discípulos foram instruídos e treinados para levar avante sua mensagem (6.12-16).
A escola - A matrícula nessa escola é controlada; há determinadas exigências. Mas, por outro lado, o ingresso é fácil. Não há barreira de idade, sexo, raça ou cor (14.25-33.)
Exigências de entrada - “E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” (14.27). “Todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (14.33).
Exames - Jesus conhece a capacidade e as limitações de cada aluno da sua escola. Seus exames não são os mesmos para todos; ele dá provas individuais. É fácil seguir as provas que deu a Pedro. Em Lucas 5, está provando a obediência de Pedro (5.5). Em 9.18, submeteu os alunos a um exame, e o impetuoso Pedro deu uma resposta surpreendente (9.18-20).
Normas a observar - Um relacionamento adequado com o Mestre deve ser mantido o tempo todo. Muitos pensam que basta um contato inicial com Jesus. Não é assim. Tem de haver estudo constante da sua Palavra, tempo gasto no laboratório da oração e na prática do exercício espiritual (9.59; 5.27).
Escola prática - Jesus não só lhes ensinou, mas os fez experimentar as grandes verdades que apresentava (10.1-12, 28,36, 37; 11.35; 12.8,9; 14.25-33; 18.18-26).
O curso - O curso incluía um estudo do reino e do Rei (7.28; 8.1; 9.2,11 62; 13.20,21; 12.32; 9.12,15; 22.29; 13.28,29; 17.20; 18.29).

O SOFRIMENTO DO FILHO DO HOMEM (Lc 20.1 - 23.56)
Jesus está sentado com os discípulos ao redor da mesa, celebrando a festa da Páscoa. Nessa ocasião, ele institui o que chamamos “a ceia do Senhor”. Ouça suas palavras: “Isto é o meu corpo oferecido por vós [...]. Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós” (22.19,20).  É diferente do registro de Mateus e Marcos. Eles dizem: “Meu sangue derramado a favor de muitos”. Seu amor é expresso de maneira muito pessoal em Lucas. Ele acrescenta: “Fazei isto em memória de mim”.
Observe o triste registro dos acontecimentos relacionados com a sua morte. Os discípulos estão discutindo sobre qual deles seria o maior no reino (22.24-27). Lemos acerca de Pedro e de sua lamentável história negando seu Senhor e Mestre (22.54-62).

O GETSÊMANI
Em agonia, Jesus está orando no jardim do Getsêmani, e seu suor se torna em gotas de sangue caindo sobre a terra. Lucas diz que um anjo apareceu para confortá-lo, fato que Mateus e Marcos não mencionam. Por entre as sombras do jardim, chega um grupo de soldados, tendo à frente Judas. Este se aproxima para beijar Jesus. Sim, ele ainda é discípulo. As Escrituras dizem que Jesus seria traído por um amigo e vendido por 30 moedas de prata (Lc 22.47-62; SI 41.9; Zc 11.12). O pior de tudo é que seus amigos o deixaram, abandonaram-no e fugiram, exceto João, o amado. Somente Lucas nos diz que Jesus olhou para Pedro e lhe partiu o coração com seu olhar de amor.
Seguimos Jesus até o pretório de Pilatos e depois perante Herodes (23.1-12). Avançamos pela Via Dolorosa até a cruz (23.27-38). Somente Lucas usa apalavra Calvário, que é o nome gentio de Gólgota. Lucas omite muita coisa que Mateus e Marcos registram, mas é o único a mencionar a oração (23.13-46).
Havia três cruzes no monte Calvário. Numa delas, estava um ladrão, morrendo por seus crimes. Lucas também registra o fato (23.39-45). Esse homem foi salvo do mesmo modo que todo pecador precisa ser salvo. Ele creu no Cordeiro de Deus que morreu na cruz naquele dia a fim de pagar a pena do pecado.
A cena do Calvário termina com o Filho do homem clamando em alta voz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (23.46). O centurião dá  este testemunho: “Verdadeiramente este homem era justo” (23.47).  
A VITÓRIA DO FILHO DO HOMEM (Lc 24.1-53)
Passamos, com grande alívio, da tristeza e da morte na cruz, da escuridão e do desalento do túmulo, para o esplendor e a glória da manhã da ressurreição. Lucas dá-nos parte da cena que os outros não narram. É a história da caminhada a Emaús. Jesus mostra a esses dois discípulos que, como Senhor ressurreto, ele é exatamente o mesmo amigo amoroso e compreensivo que tinha sido antes de sua morte. Depois de caminhar ao seu lado, abrindo-lhes as Escrituras sem ser reconhecido, os discípulos insistem em que entre e passe a noite com eles. Ao levantar aquelas mãos que tinham sido perfuradas pelos cravos e para partir o pão, eles o reconheceram, mas Jesus desapareceu. Retornaram a Jerusalém e lá encontraram provas abundantes da ressurreição. Jesus provou que era um ente real com carne e ossos. Todos esses pormenores pertencem ao evangelho de Lucas. Estão registradas nada menos que 11 aparições de Jesus, depois da ressurreição, não só a indivíduos, mas a grupos e multidões. Primeiro, às mulheres, a Maria e depois aos demais (Mc 16; Jo 20.14); depois, a Pedro sozinho (Lc 24.34); em seguida, aos dois de Emaús (Lc 24.13); aos dez apóstolos em Jerusalém [estando ausente Tomé] (Jo 20.19) e mais tarde aos 11 discípulos (Jo 20.26,29); depois disso, a sete deles no mar de Tiberíades (Jo 21.1). Mais adiante, ao grupo todo dos apóstolos num monte na Galiléia (Mt 28.16); depois, a 500 irmãos de uma vez (1Co 15.6); então, a Tiago (lCo 15.7); e, finalmente, ao pequeno grupo no monte das Oliveiras, na sua ascensão (Lc 24.51).
Três vezes lemos que os discípulos o tocaram após a ressurreição (Mt 28.9; Lc 24.39; Jo 20.27). Além disso, comeu com eles (Lc 24.42; Jo 21.12,13).
“Aconteceu que, enquanto os abençoava, {[...] foi elevado para o céu” (Lc 2451). O fato de ter sido “elevado” revela mais uma vez que ele era homem.
Já não  é um Cristo local, limitado a Jerusalém, mas um Cristo universal. Ele podia dizer aos discípulos que se lamentavam1 pensando que não mais o teriam consigo: “Eis que estou convosco todos os dias” (Mt 28.20). Como era diferente a esperança e a alegria desses seguidores escolhidos, do desespero e opróbrio da crucificação! Eles voltaram a Jerusalém com grande alegria.

VITAMINAS ESPIRITUMS / DOSES MÍNIMAS DIÁRIAS

Domingo: “SEMELHANTE AOS IRMÃOS” Lucas 1. 1-3.38
Segunda: “TENTADO [...] À NOSSA SEMELHANÇA” Lucas 4.1-8.3
Terça: “COMPADECEU-SE DAS NOSSAS FRAQUEZAS” Lucas 8.4-12.48
Quarta: “CUMPRIA-ME ESTAR NA CASA DE MEU PAI” Lucas 12.49-16.31
Quinta: “JAMAIS ALGUÉM FALOU COMO ESTE HOMEM” Lucas 17. 1-19.27
Sexta: “TU ÉS UM RESGATADOR” Lucas 19.28-23.56
Sábado: “POR FIM SE LEVANTARÁ SOBRE A TERRA” Lucas 24.1-53  

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